5.6 DE IDAS E VIDA

 

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Aos seis anos de idade não sabia nada sobre a importância de aniversariar, sabia apenas, que dois presentes na mesma data era, no mínimo,  muita sorte! Aos dezesseis, já entendia quanto custava  esta sorte,  e profetizava,  que esse privilégio teria um breve fim.

A alegria foi ainda maior, quando descobri, que doze de outubro,  também é o dia do mar. Ah! O mar… Adoro olhar aquela fartura de água dançando no horizonte. Espreitá-lo a distância,  e peneirar o cheiro dele nos pelos do nariz, sem dúvida, é um convite à felicidade. Como diz a música de Dorival Caymmi: “O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito”.

Aos vinte e seis, o verbo  “presentear”  tinha outros significados. Anestesiavam algumas dores, enquanto crescia em mim o valor de cada lembrança, de cada abraço, de cada telefonema,  e até de cada esquecimento. Aliás, só comecei a desculpar os esquecidos, quando comecei a esquecer.

Aos trinta e seis,  não pensava mais sobre receber ou não presentes. A vida arranhava forte,  testava o  meu vigor e paciência sem nenhuma compaixão: Amigos de direita,  greves intermináveis,  sala dos professores,  dietas malsucedidas e responsabilidades,  que só mesmo uma super-heroína é  capaz de dar conta, sem emagrecer um quilo sequer.

Aos quarenta e seis me descobri como sobrevivente. Entendi,  então,  que um  “DEIXA QUIETO” OU  “TCHAU,  ESTOU INDO”,  substitui muitas sessões de terapia.

Hoje, aos cinquenta e seis, AVISO AOS NAVEGANTES: Não gosto mesmo de cozinhar (não me ofereçam receitas fáceis tentando me convencer). Não gosto de queijo cheddar; água gelada; cereja; sorvete de morango; cebola; café; suco de melancia… Gosto menos ainda de  gente, que odeia gente.  Gente,  que esquece que é gente. Gente,  que não sabe ser gentil… Tenho medo de lagartixas e borboletas. Mas gosto do suco de laranja;  aroma de sabonete; filmes de suspense; colônias de formigas; boas companhias;  pipoca; chocolate ao leite; José Saramago, Fernando Pessoa… Portanto,  tenho motivos demais,  que me ajudam a ser feliz!

Valeu, Papai do Céu!

Ana Teixeira – 12 de outubro, 2019


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