UM DIA NO SÍTIO SERRAMAR-A day at the Serra Mar site

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MARTA ARANTES (Maria Cigarra) /  PLÍNIO (Zé Espeto)

INTRODUÇÃO

Essa história é formada por um grupo de indivíduos recém-saídos de um hospital psiquiátrico.

Eles têm nomes fictícios, pois suas identidades precisam ser preservadas para sempre!

São eles: Maria do Pântano, Maria Cigarra, Maria de Fininho, Maria chupeta, Maria barreada, Maria Prenha, Maria Sapatinho, Zé Fininho, Zé Paixão, Zé Espeto e Zé Atoladinho.

Zé Fininho é noivo de Maria de Fininho; Zé Paixão namora Maria do Pântano; Maria Sapatinho é mãe de Maria Prenha; Maria Cigarra é casada com Zé Espeto. Ah! Maria Chupeta, Maria Barreada e Zé Atoladinho, estavam lá, leves e soltos!

A verdade é que Maria Cigarra e Zé Espeto há muitos anos queriam praticar um ato de benevolência. Visitaram orfanatos, doaram quantias exorbitantes aos asilos, ofereciam oferendas aos deuses, mas nada era suficiente! Foi quando Maria Cigarra teve a ideia de trazer vários pacientes para passar um final de semana no sítio de propriedade do casal e oferecer muita carne e cerveja. A ideia foi colocada em prática.

1º Capítulo

A SAÍDA

As pessoas escolhidas aparentemente tinham condições de se locomover sem a orientação de outros. Sendo assim, entre eles combinaram de se encontrar na porta do manicômio para saírem de lá às nove da manhã do dia 19 de dezembro de 2009, pois o churrasco oferecido pelo nobre casal estava marcado para as 11 da manhã. Era sabido que eles não tinham noção de direção, por isso foi fornecido um mapa, que ninguém levou, aliás, apenas Maria Chupeta lembrou-se do detalhe… Mas ninguém poderia imaginar que eles não tinham noção de horário. Uns chegaram ao ponto de encontro às 9h, alguns às 10h, e outros às 10h30. Sem falar daqueles que esperavam no caminho. Mas todos estavam presos a um mesmo argumento: o Trânsito! Olha que essa desculpa nem foi combinada, mas foi dada por todos!

Zé atoladinho ostentava um carro preto, todo cheio “das inscrições” e luzes acessórias; Maria do Pântano vinha firme a apaixonada ao lado de Zé da Paixão; Zé Fininho conduzia a noiva se sentindo o CARA! Maria Chupeta, que não tinha um carro preto incrementado, não estava apaixonada, não se sentia o CARA, mas tinha um óculos Prada,  contentava-se com a  papo  animado de  Maria Barreada.

O grupo estava tão coeso, que distribuíram nove pessoas em quatro carros. Pagaram em pedágio R$99,40, provavelmente mais uns R$200,00 em gasolina, sem falar de outros desperdícios, e falta de sensibilidade ambiental.

2º Capítulo

 O CAMINHO

Pararam em um posto de gasolina, mas não foi para abastecer. Depois de visitar uma loja de conveniências, saíram de lá cheios de lanchinhos e refrigerantes. Comeram como flagelados e rumaram para Peruíbe. Apesar de estarem distribuídos em 4 carros, conversavam, davam tchauzinho, trocavam chicletes, exibiam chocolates para aqueles que não tinham, enfim, comunicação total,  típica de um grupo de insanos!

Estavam com o mapa, mas se perderam por três vezes, numa delas, conseguiram enfiar os carros num verdadeiro mar de lama, mas acreditavam seguir o mapa corretamente. Detalhe: os pacientes mais graves, Zé Atoladinho e Zé Fininho conduziam o comboio.

3º Capítulo

 A CHEGADA

Exaustos e famintos chegaram a trilha de acesso do Sítio Serramar. Passou o primeiro carro, passou o segundo carro, passou o terceiro carro… Já comemoravam a chegada, quando Zé Fininho deu a notícia de que Zé Atoladinho, estava literalmente atolado.

Maria do Pântano teria ido ajudar se não estivesse muito ocupada com cumprimentos e abraços, Maria Chupeta precisava tirar o tênis e vestir um chinelinho mais confortável. Maria de Fininho provavelmente viu toda a cena e estava chocada demais para fazer alguma coisa, Zé Paixão tentou correr para ajudar, mas foi impedido por Maria do Pântano, que não estava disposta a empurrar o seu amado para a lama. Restou então, Zé Fininho e Maria Barreada.

Maria Barreada, como grande atleta que é, chegou ao local em menos de dois minutos, seguida por Zé Fininho. Tentou levantar o carro de Zé Atoladinho, mas a tentativa foi em vão. Tirá-lo daquela situação não seria fácil.  Foi aí que Zé Fininho assumiu a frente e tirou Atoladinho daquele estado, no mínimo, constrangedor e deprimente… Mas Zé Fininho entende das coisas e deu conta do recado.

Quanto a Maria Barreada, não conseguiu levantar o carro, mas enlameou-se inteira para impressionar a galera, olhando para o grupo como se dissesse: ”comigo é assim”!

Bem, todos sãos e salvos.  Vai rolar o churrasco!

3º Capítulo

CHURRASCO / PUDIM / JOGOS

Muito churrasco, cerveja, refrigerante, jogos de carta… Por falar em jogos de carta, lá estava Zé do Espeto, que mandou muito bem no churrasco, mas se gabava de mandar muito bem no jogo de cartas. Segundo a teoria dele próprio, quem joga com ele em parceria não perde nunca! Tenho que dizer que, Maria Barreada era a sua parceira no jogo e saiu desapontada com a coleção de derrotas. Zé Espeto estava inconsolável, fez cara e bocas, tentou subornos (quis trocar cartas por um pedaço de pudim), suplicou ajuda aos deuses, mas no final pedia apenas que sua parceira jogasse com o coração, pois era tudo que podia fazer naquele momento de desespero. A casa de Zé do Espeto caiu. Agora ele só pensa em churrasco e banana assada. Em compensação Maria Chupeta e Zé Atoladinho deram um Show de habilidade, inteligência e comunicação telepática. Ganharam todas!!!

4º Capítulo

KARAOKÊ

 Destaque para Maria Cigarra, Zé Fininho e Maria do Pântano, que não se intimidaram em demonstrar tudo que sabiam. Zé da Paixão e Maria Barreada são bons de dança, paquitos e paquitas não fariam melhor! Quanto a Maria Chupeta e Maria Sapatinho é bom incorporar a musica que diz: “No peito dos desafinados também bate um coração”, ou seja, o máximo que elas podem fazer é deixar o coração bater.

           

5º Capítulo

HORA DE IR EMBORA – Ei! Ei!ZÉ ESPETO É NOSSO REI!

Estávamos prontos para sair, quando Zé Atoladinho (ele mais uma vez), percebeu que a bateria do carro estava arriada. Pessoas! Quase meia noite!  Visibilidade quase zero, lama quase no pescoço, buracos quase infinitos e o bicho estava lá, falo do carro,  caído e sem vida, apagadão! Foi exatamente nesse momento que Maria Chupeta entrou em cena e cedeu para ele tudo que podia. Em meia hora estava tudo solucionado. O motor de Zé Atoladinho levantou como poucos.

Antes de sair cantaram mais uma vez a música preferida de Maria Sapatinho,  que se tornou o hino oficial do grupo, que deve ser cantado com respeito, pois só os bravos e fortes são capazes de entoá-la com ardor :“ Botei meu sapatinho na janela do quintal, Papai Noel deixou meu presente de Natal…”.

Mais de meia noite, finalmente saiu em comboio. Acho que não precioso lembrar: “nove pessoas, quatro carros…”, etc.

Mal chegaram à estrada e lá estava Zé Atoladinho,  arriado mais uma vez!!!! Maria Chupeta nada pode fazer, afinal estava desmoralizada perante o grupo, porque pensou que havia dado conta do recado. Mas eis que surge o nosso herói! Zé Espeto!!! Ele desceu a trilha em seu carrão e um cabo na mão, pronto para mostrar aos “peruibanos” quem é que mandava no pedaço. Em cinco minutos ele ajeitou a vida de Zé Atoladinho.

Rumo à São Paulo, Maria do Pântano avisou ao grupo por celular que estava com sono e parou todos os carros para entregar a direção para Maria de Fininho, mas esqueceu de avisar Zé Atoladinho que  não seria uma boa ideia desligar o carro. Ele não desligou,  e….Adivinha? O carro apagou! Cá entre nós, Maria do Pântano estava afim de “F” com o azarado do Atoladinho. Lá estava ele, arriado mais uma vez!

Cansado de tanto serviço mal sucedido. Zé Fininho resolveu dar um fim naquela história. Fez uma chupeta caprichada e mandou Atoladinho para São Paulo numa acelerada só. Chegamos bem, porém não se tem mais notícias de Zé Fininho e Zé Atoladinho.

Hoje sabemos que o casal está extremamente arrependido e não querem mais saber de praticar o bem. Da próxima vez pretendem convidar toda a Equipe para o churrasco. Os que ficaram sim, “são gente fina e educada!”

 

 

 

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